quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Manuel Bandeira

O bicho


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.


Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.


O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.


Rio, 27 de Dezembro de 1947.





Este poema por si, já define a realidade que vivemos há anos e que infelizmente não há previsão para ser extinta.

Grande Manuel!

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